(…) Também no Brasil, o papel do budismo como fator de união sócio-cultural dos imigrantes japoneses é marcante em todos os grandes centros de aglutinação dos japoneses e seus descendentes, influenciando também outros setores da sociedade ocidental.
Podemos perceber isso claramente em movimentos conhecidos como “cultura alternativa”, que englobam desde a chamada “medicina alternativa”, artes marciais (muitas introduzidas no ocidente sob forma dos esportes) bem como de outras artes, com forte influência principalmente no budismo Zen.
Mais especificamente no campo das artes marciais, alguns aspectos precisam ser esclarecidos para que se tenha uma ampla visão desse conjunto.
Muitos ocidentais ao tomarem contato com a cultura oriental através de filmes largamente divulgados pelo cinema e televisão, como os Kung-Fu, Samurais, Ninjas e etc., acabam tendo uma impressão de que o budismo e artes marciais são inseparáveis e que todos os monges budistas seriam “experts” nessas artes, o que não passa de pura ilusão cinematográfica.
(…) Conta-se que o próprio Budha Shakyamuni, em sua juventude, vivendo ainda como príncipe do povo dos Shakyas, ao sopé da cordilheira do Himalaia, foi adestrado nas artes de guerra, como luta corporal, arco-e-flecha, manuseio de bastão, lança e outras armas próprias de sua época. Entretanto, após ter atingido a iluminação aos 35 anos de idade, pregou sempre um caminho de paz, harmonia e principalmente não-violência (ahimsa), conceito este que foi brilhantemente retomado por Mahatma Gandhi, no começo do século XX, influenciando grandemente o movimento de Independência da Índia, que até então era colônia do império britânico.
(…) No Japão, o budismo foi importado da China e da Coréia, sem trazer estes aspectos marciais. Mas, com o desenvolvimento histórico, grande foi o número de guerreiros da classe dos samurais que afluíam aos templos budistas, principalmente das escolas Zen e Jôdo (Terra Pura), buscando apoio espiritual, e chegou mesmo a existir uma categoria de monges guerreiros (Sôhei) em monastérios como os da Escola Tendai. Assim acabou se dando o nascimento de um conceito japonês de arte marcial que mesmo hoje em dia é indissóciavel do budismo e Shintoismo (religião autóctone, ligada à casa imperial japonesa)…(continua)”
o budismo e as artes marciais – parte 1








3 Comentários
Julho 31, 2009 às 10:04 pm
Sou praticante de hapkido- há 9 anos , monitoro aulas sob o olhar atento do mestre , não tenho nada de oriental, porém inversamente proporcional admiro e respeito profundamente as culturas orientais.O mundo não seria o mesmo se não houvesse tais culturas que muito nos ensinam, também sou simpatizante budista, já que o hapkido exerce a arte yn-yang-tao , e o equilíbrio será sempre um , não importando o segmento.
Quanto aos monjes , creio que há vários caminhos de se alcançar o equilíbrio , e uma delas é através das ARTES MARCIAIS, diferente de luta , pancadaria, pois se arte marcial fosse porrada , o que diriam sobre o bom e velho tai-chi-chuam com seus movimentos serenos.Portanto os perfeitos movimentos de ataque e defesa dentro de uma arte marcial profunda e tradicional , determina o equilibrio do praticante.
Quando estiverem por perto de Guaxupé-mg
venham visitar nosso dojang.
Agosto 1, 2009 às 12:03 am
Olá! Obrigada por seu comentário, sua análise sobre o tema e seu convite! Estado em Minas, visitaremos com certeza. Abraços, Japas
Agosto 20, 2009 às 1:36 am
Olá, eu só queria dizer que como o jokionin betão, eu sou um grande admirador das artes marciais, como tambem praticante, aqui na minha cidade “Ouro Preto do Oeste – RO”, eu não posso despojar de muitos estilos marcias, pois aki é bem limitado, mas eu luto Jiu-Jitsu, Muay Tay, Judô e um pouquinho de Karatê a 2 anos, mas agora estou parado, pois desloquei meu cotovelo direito num acidente em um de meus treinos de Judô, mas não é por isso que eu irei parar de treinar, pois a real finalidade das artes marciais é estar de bem com seu corpo, mente e alma!