março 18, 2008...12:21 am

kazuo ohno dançando com as palavras – parte 1

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O Tokyogaqui dedicou um andar aos 101 anos de Kazuo Ohno, com exposição de fotos, vídeos, objetos pessoais, performances, espetáculos, filmes, vestidos, chapéus, cartazes e textos escritos pelo grande mestre do butô. Na visita, a gente vai ficando tão envolvida com tudo aquilo que dá vontade de anotar todos os textos para poder ler mais uma vez, mais um vez, mais uma vez. Foi o que eu fiz e compartilho aqui. Leia, dance, leia.
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“O belo continua até a eternidade. Há um existir infinito.”

“O único movimento que tem um significado é aquele que deriva da alma.”

“Quando estão tristes ou contentes, vocês não conseguem enxergar nada. Fecham os olhos e não vêem mais nada. Mas não é possível dançar de olhos fechados. Os olhos devem estar bem abertos e dança-se sem olhar.”

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“Minha intenção dançando vestido de mulher não é de imitar uma mulher, mas, sobretudo, de encontrar a distante origem da minha vida. Mais do que outra coisa desejo retornar ao lugar de onde vim.”

“Quando minha mãe estava morrendo, ela me disse que um linguado estava dando no seu corpo. Esta foi sua última palavra para minha dança: o linguado era originalmente redondo mas ele se achatou depois de permanecer por um longo período no fundo do mar, e somente após todo este tempo, ele deu um grande chute na Terra com toda a energia, e começou a se mover. O linguado sou eu.”

“O corpo envelhece e morre mas segue dançando com a energia do Universo. A morte é um novo começo. E quando eu morrer, vou começar de novo dentro do Universo, vou continuar dançando.”

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“A vida e a morte são inseparáveis. Assim como o ser humano nasce, a morte chega inexorável. A vida nasce e no caminho inverso, chega-se à criação do Universo. Da criação do Universo a vida se perpetua até nós através da história.”

“O lugar do butô é na barriga da mãe. No útero. Noútero do Universo. O lugar da minha dança é dentro da barriga. A vida e amorte são inseparáveis.”

“É preciso desabrochar até onde for possível, com toda a alma.”

“O inseto corre em direção à luz sem desjo ou vontade, mas por necessidade. Assim deve agir o dançarino de butô.”

“Os homens vivem com a consciência de que morrerão, no entanto, esperam ter uma vida eterna. A eternidade é um dos argumentos principais do butô. Ele cabe no instante e está consciência serve para ultrapassr as barreiras do corpo. A morte é inevitável, não podemos viver sem olhá-la. Não podemos fechar os olhos mas podemos torná-la alegre.”

Leia mais em Kazuo Ohno dançando com as palavras – parte 2

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